Wednesday, March 31, 2021

UM TEMPO DISTANTE. O EQUÍVOCO VÊ-SE AO ESPELHO

 






Rompe a Primavera e o declínio ulula em silêncio 

A dor seduz as noites que teimam em gritar

Reedifico sombras que tardam em esmaecer

Escalo colinas íngremes e atento as aves morosas

Procuro nos confins insurretos a lisura das fábulas  

O meu seio dissipa-se na brandura da última seiva


A pertinácia expiada na jugulação 

do ocaso fugaz 


Coagido pela única gota de sangue 

do raio silente


Desnudo-me e persigo a resignação 

de face serena


O que deveria ter sido dito

o que deveria ter sido dito no cair do tempo

o que deveria ter sido dito ao tocar as margens da inocência 


Tuesday, March 2, 2021

CREPÚSCULO

 



A alma vazia inexorável do último suspiro

Lágrimas salgadas deslizam pelos confins


Ilusão exaltada com prevista duração

A anatomia de um gesto ausente que resiste


Entre a bruma e a memória

Muito para além do infinito


As nuvens que ficaram por ver

As flores que ficaram por colher

Wednesday, February 17, 2021

ECLOSÃO ALEGÓRICA

 



Na noite de rosto húmido

desvelo o rastro inexorável

taciturno

no declive da solidão


Livros despidos

de suspiros comuns

inequívocos à resiliência


A precaução em cada passo 

em direcção ao abismo atávico 

fatal


Horas intrépidas 

vazias

imperecíveis de encontros fortuitos

vagos de luar 

e de mim

Wednesday, January 27, 2021

INVERNO






O frio nas palavras tortuosas

indecifráveis e sem complacência 

perscruta o silêncio inequívoco

impérvio de verdura tímida

despojado de tenacidade


Nas margens de cada noite 

moldo o espaço de mistério perpétuo


a memória estende-se no tempo

e surgem brancas contas de vidro


amando 

firmes 

inviamente


 

Wednesday, January 20, 2021

DESÍGNIO

 



Fui o que queria ser

Fiz o que tinha a fazer

Assim tinha de ser

Friday, November 13, 2020

ASSOLAÇÃO DE UMA PAISAGEM

 



O embrião da papoila ágil e buliçosa

dá lugar à desolação erma e sarçal

DESILUSÃO DE UMA PAISAGEM

 


na vigília das pálpebras

irremediavelmente a germinar

a mais impura tormenta


(entre parêntesis)

escrevo a noite