O embrião da papoila ágil e buliçosa
dá lugar à desolação erma e sarçal
na vigília das pálpebras
irremediavelmente a germinar
a mais impura tormenta
(entre parêntesis)
escrevo a noite
sem contrição num olhar profundo
o dia cauto mostra-me os sinais
do silêncio que há num grito
sinto o tacto suave em redor
da irregular escrita no vento
a chuva lava-me os sentidos
os ultrajes dissipam-se despedaçados
resiste o vestígio de nenhum gesto
cravado firme em toda a memória
à distância
O pseudo sentido de responsabilidade
Escuda-se na ambiguidade
Erradica a disponibilidade
Aperta o cinto de castidade
O simulacro inacabado no equilíbrio de um vislumbre
A tenacidade absoluta em suspenso está no mar inteiro
Um gigante ilimitado
de debilidade titânica
A dilação consuma-se imóvel
A dessintonia revela-se infesta
Viro costas à sombra impossível
e de súbito volto a ser eu