Monday, November 26, 2018

DUAS CORES



A palavra Amor



Talvez a melhor forma de entender o seu significado

Intacta



Deliberado esquecimento

Ou devoção e gratidão?





Duas aves e a alegoria do mundo



Hesito no que devo ou não ver

Ou mesmo ouvir… 

Partir



Talvez um efeito secundário onde a incisão cresce insegura



Qual cesura que se aparta da luz em segredo



Ou o clarão! Que irrompe do silêncio e anuncia o Outono





Vem e vê

Sunday, February 5, 2017

NÃO EXISTIR



Para além do tempo

e da lentidão das metáforas



Resta a penumbra do esquecimento

na tua respiração...



O que a terra me ensinou

sem desvendar o sonho

Tuesday, September 15, 2015

SETEMBRO



Nuvens negras


persistem em ficar


perenes





Imunes à sofreguidão da luz


soçobram


com ardor





Sublimadas

porfiosas

corrosivas





Adormecidas 


descansam no meu dorso


em letárgico  sono 


profundo





Portas entreabertas 


que se fecham


uma a uma


com estrondo





Erro por veredas 


ermas e profundas


sinuosas


sem fim





Através de mim


devorando-me aos poucos





Identidade autofágica






Onde a noite e a lua se digladiam


feridas pelo orgulho


de lágrimas de sangue


sem gestos de clemência





Desertos salgados


lábios longínquos…





Dirijo o olhar noutra direcção


onde o sol exorta 


em consciência





Contemplo o mar


entendo suas preces


temerosas


carentes de rancor






Avisto locais desabitados


inóspitos


onde não se vislumbram sombras



nem ódio





Promessas expectantes


clamam moribundas




(pausa)





O fio do destino


quebra-se silenciosamente





A omissão de qualquer explicação


sinédoque da incompreensão





A fatalidade ecuménica


e o ímpeto da paixão



Saturday, September 5, 2015

3 FASES



I


Carácter distintivo


Essência singular


Esquiva





II


Fulgor feliz


Entidade fogosa


Rara e convergente





III


Sopro subtil


Desliza ao vento


Passa em silêncio





Voa com as nuvens

Wednesday, December 24, 2014

HAIKU I



Só... Estirado na praia


Um barco passa ao largo


Moroso, até se perder de vista

Tuesday, October 30, 2012

ATÉ SEMPRE



A volúpia dos sentidos 

suspensa

e ao abandono adiada



Noite com lua
dádiva do mar



Clamor do universo

estrelado



Uma ideia de ilha

aves

céu



E tu...



A verdade das pedras

axioma inseparável



O perfume da maresia

récita alegórica matinal



Efígie de fim de estação

e a bruma ao acaso

sem alento



O mistério das emoções
oásis imaginado

com ternura



Enigma interrompido
sem sol



à chuva

ao frio

no escuro



O pranto metafórico do caos

chega de mansinho

na incerteza de todas as manhãs



Um silêncio maior do que a solidão



Esse teu modo de ser

pouco a pouco



luz e som



(pausa)



Levo-te comigo

Monday, September 5, 2011

L'OUBLI



Sans espoir de retour

les pas de la nuit qui tremble

cassent toutes les règles

d’un univers singulier

de contours incertains



Des rimes envolées

le cœur affaibli

les corps emmêlés

l'extrait de la souffrance

petite étincelle de temps



Les caresses qui s'éteignent

l'éclat de tes cheveux

on chante à l'unisson

le mélange parfumé

en traversant les airs



Illuminations vacillantes

le sable blanc des îles

sensualité outragée

le trouble des sentiments

infinis dans le bleu