Friday, April 16, 2021

MAS A SERENIDADE NUNCA CHEGOU

 



Rasgo o passepartout. Evado-me da moldura.

Abro a janela. Olho o céu. Hostil ao dia.

Atravesso o muro. Que se torna nocturno. 

Para lá da bruma. E dos encontros imprevistos.


O prestígio do luar. A demanda infinita.


Acordaste a metáfora já sem nome. 

O amor e o mar aconchegavam-se.

Colava-me à luz. Encostavas-te ao silêncio.

E as árvores e os riachos riam-se. 

Connosco.

Aqui mesmo. Ao longe...

Monday, April 12, 2021

VENI, VIDI, VICI

 





"Sufocado todo o bem, soterrado. 

Desespero".


Domingo, 12 de Abril 2021 8:02 AM

Thursday, April 8, 2021

ERA AZUL?

 



sonhei o impossível

suspenso

no calor viciado da espera

INTENSO COMO O MAR

 



Guardei fundo as noites onde a inocência espreita


A marca dos teus pés

O lado das árvores

Os portões ocultos

O ritmo nocturno 


Os murmúrios vinham de longe

Das esquinas que sustentavam o mundo


Quando as estrelas aceitavam o dia

E o impossível das nuvens era a forma desejada

Wednesday, March 31, 2021

UM TEMPO DISTANTE. O EQUÍVOCO VÊ-SE AO ESPELHO

 






Rompe a Primavera e o declínio ulula em silêncio 

A dor seduz as noites que teimam em gritar

Reedifico sombras que tardam em esmaecer

Escalo colinas íngremes e atento as aves morosas

Procuro nos confins insurretos a lisura das fábulas  

O meu seio dissipa-se na brandura da última seiva


A pertinácia expiada na jugulação 

do ocaso fugaz 


Coagido pela única gota de sangue 

do raio silente


Desnudo-me e persigo a resignação 

de face serena


O que deveria ter sido dito

o que deveria ter sido dito no cair do tempo

o que deveria ter sido dito ao tocar as margens da inocência 


Tuesday, March 2, 2021

CREPÚSCULO

 



A alma vazia inexorável do último suspiro

Lágrimas salgadas deslizam pelos confins


Ilusão exaltada com prevista duração

A anatomia de um gesto ausente que resiste


Entre a bruma e a memória

Muito para além do infinito


As nuvens que ficaram por ver

As flores que ficaram por colher