Lábios sem nome ao ritmo de uma viagem intangível
Prodigiosa a vida resiste aos dias lentos tímidos e alheios
Entre as árvores irrompe a doçura refém de um olhar longínquo
Vinda de algures uma voz fica na retina ardente do desejo
Lábios sem nome ao ritmo de uma viagem intangível
Prodigiosa a vida resiste aos dias lentos tímidos e alheios
Entre as árvores irrompe a doçura refém de um olhar longínquo
Vinda de algures uma voz fica na retina ardente do desejo
um cheiro miasmático
um aroma morbífico
um odor familiar
o perfume da insídia?
posso não saber o que sinto
mas sei o que não sinto
O abismo bate à porta. Nos teus lábios. O íntimo sentido dissipa-se em declive. A folha caduca desliza na distância. Como nuvem abandonada à avidez dos ventos. Outrora os passos que demos eram poesia. E tudo se reduz à cúpula sombria.
A melodia do destino. Dentro de cada noite.
É chegado finalmente o tempo. As noites nuas são imensas. Sonhos deambulam no fundo. Invento o que apreendi. A verdade em carne viva. Aconchego-me à presença humana. Sob a cúpula estelar. Possuo as estrelas. Reinvento o fogo. Pressentimento denso e ardente. Real é o campo de flores. Deslumbrado ao colo da mãe. Ardendo em impetuoso idioma. Balança a frágil hostilidade. Ruína que estremece e não reage. Não deixes que te conheça. O calor lépido da vida. O ânimo íngreme de um beijo. A água turva já não replica. Senda sufocada pela ausência. O peso nebuloso das fronteiras. Do riso exíguo que nos imita. A vida suspensa que me espera. Perco-me da realidade. Um espaço oco dentro de mim. Era uma vez uma fábula. A natureza do escorpião.
sofisticados precipícios
na distância da noite
como nos livros
enigma iterativo que oscila
entre pedras e melodias
luas cheias de som
sem que os passos me levem
indiferente à luz intraduzível
pergunto-me como amo
ainda
perdido
de repente
As folhas do tempo ilegível
um tempo que não recua
que nunca mais volta
Tempo a que chamo nostalgia
Tempo a que chamas ilusão
Um caminho inundado de luz...
de momentos irrepetíveis
(como nos sonhos)
Duração esquiva
Período ignoto
Prazo inefável
As nuvens ficam pelo caminho
assim fiéis ao destino
como branco o acto do amor
As ondas
A pele
A distância das noites
O tempo
dos dias que fogem
da morte que vem depois
Ainda creio no vento
Esperei o sorriso nos teus olhos
Neste silêncio perpétuo da solidão
Um gesto impalpável de dor
Na lentidão da indiferença sem nome
Fico suspenso na voz da minha infância
Ao regressar da longa viagem
Abraço o tempo que me resta
Ainda creio no vento