Monday, February 10, 2020

IN MEMORIAM




O júbilo da vigília
A serenidade da paisagem
Imobilidade e movimento

O espanto inesperado

Wednesday, January 15, 2020

SÉPIA




ofuscado pela derradeira luz. idêntica.

nada deixado ao acaso entre pétalas que espreitam. e decidem.
a seiva é assim. lenta. espessa. voraz. despede-se do ocaso. incólume. 
escrevo no teu corpo. leio-me nas mãos. estimulo a mente. como um estrangeiro.

renasço do nada. no vazio. onde não habito.

o simulacro das intempéries errantes. esparsas. ocas. frívolas.
procuro a insondável prudência no horizonte. ténue. frágil.
peço auxílio às vagas anónimas. incertas. já hesitantes.
passagem discreta pelo fogo. onde nidifica o passado. 
pretérito enfático. fugidio. ausente de tempo. 
ardente. imune à constância da alvorada. 
cadência infinita. de afeições mútuas. 

nesta noite ruidosa de inverno. 
sem tonalidade. hermética.
na solidão das nuvens...

Monday, December 16, 2019

CAMINHOS ESQUECIDOS






A respiração dos livros
A lentidão das pedras
O espaço entre dois seres

Eficácia errante

Thursday, December 12, 2019

NOCTURNE





Pieusement fidèle, brûle un bonheur lointain

le temps a désuni les secrets
et leurs regards attachés

tremblant encore lendemain

Monday, December 2, 2019

TEMPS QUI PASSE






Un regard déjà lourd
le détour de la rivière en marche

Le beau perd sa couleur
un jour de plus vers l’abîme

Voir le matin se lever sur les monts
qui redouble mon silence

Monday, November 25, 2019

LOINTAIN





comme un rêve lointain
la grâce jeune des matins

le feu s’enfuit dans l’air
on jette au vent feuille à feuille

sous la fenêtre étroite
le premier vestige humain

toute douceur est écrite
comme un écho lointain

Wednesday, November 6, 2019

SFUMATO




aspiração insidiosa
ilusão ofertada pela indiferença 
volúpia em progresso subtilmente tardio
dias partilhados
noites que nunca chegam
inépcia em me fundir com os astros
ascese essencial à contemplação da lucidez
fragilidade mascarada
sem sentido

sou o derradeiro habitante da paisagem
erma e desprotegida
ruínas devolutas onde as mãos envelhecem
ao relento
herdo o torpor indolente comum às almas inomináveis
assim arrefece distraído o enlevo
parco e estoico
que raramente nos visita