Friday, February 22, 2019

ROUGE ET BLANC





Combler tous mes vœux
Chaque jour davantage
Le regard du jeune feuillage
Silencieux caressant la flamme

Se mêler confus aux éléments
Comme un ruisseau lointain
Ou le moment du vieil attrait
Et le monde brûlant de souffle


Ce murmure élevé sur des pas
Occulte
Comme un cadeau séduisant


Je pars ou je reste?

Tuesday, February 19, 2019

ÉS



Mistério extasiado

     Companhia insólita

              Aroma sonhado

                     Essência atónita

                            Fogo inflamado

                                   Sílaba tónica

                                       Jardim encantado

                                             Esfinge lacónica

                                                  Amor sublimado

                                                       Flor rara e incógnita

Tuesday, February 12, 2019

MARÉ BAIXA




Os braços lídimos do desejo
repletos de ternura súbita 


A respiração ofegante
ancestral e ávida de desejo


O espanto ignoto salgado
na orla dos teus afetos


A dádiva profusa da chama 
imerge em sonhos inauditos


Hesitantes 
seduzimos a mobilidade das marés

ou a cinesia dos astros

Tuesday, February 5, 2019

IDÍLIO





Despeço-me do tempo de todas as manhãs
toco o magma que a poesia desvenda
enleio-me em mares incógnitos... 
imensos



Descubro e escuto a infinitude
o que remotamente se cumpriu
   


Na insignificância hipotética do vazio
a essência revela-se subtil... etérea

Intangível como tu!

Monday, February 4, 2019

LUZ




Couchée sur mon papier
Ou l'ancien envoûtement
Comme un violon accordé
Pour qu'enfin je repose


La forêt suspendue au néant
S’épanche en harmonies
De cœurs brisés et battants
à l'abandon imaginaire


Au travers de toutes les saisons
On fauche le vent faible et sage
Òu les chemins mènent à l'errance
Tombés dans l’oubli sublime


Regard singulier - rayon blanc
Qui restera pour l'infini
Comme maquillage en poésie
Me fait pousser des ailes de rêve

Wednesday, January 16, 2019

IPSIS VERBIS



O acme da hora anónima
duvidosa, branda e estóica
que se despenha muda e indómita
no íntimo da nossa incerteza

Como tu 
essência errónea
de névoa queda e fugitiva
na manhã imensa e informe

(pausa)

Já nada importa
ao instante silencioso
à remota presença feérica
onde já tudo pereceu

Cerimónias inquietas
prenhes de melancolia
esmaiadas em quietude
qual pranto de vazio rotundo

Hirto azo de luz ostensiva
que contempla a nuvem oculta
na noite quase vestida
de vazio, de tom e de voz

Assim era o verbo
novilúnio, ubíquo
e esquálido

no escopo do firmamento

(pausa)

Tal como a semente douta e astuta
tão só reclama a terra