Tuesday, February 12, 2019

MARÉ BAIXA




Os braços lídimos do desejo
repletos de ternura súbita 


A respiração ofegante
ancestral e ávida de desejo


O espanto ignoto salgado
na orla dos teus afetos


A dádiva profusa da chama 
imerge em sonhos inauditos


Hesitantes 
seduzimos a mobilidade das marés

ou a cinesia dos astros

Tuesday, February 5, 2019

IDÍLIO





Despeço-me do tempo de todas as manhãs
toco o magma que a poesia desvenda
enleio-me em mares incógnitos... 
imensos



Descubro e escuto a infinitude
o que remotamente se cumpriu
   


Na insignificância hipotética do vazio
a essência revela-se subtil... etérea

Intangível como tu!

Monday, February 4, 2019

LUZ




Couchée sur mon papier
Ou l'ancien envoûtement
Comme un violon accordé
Pour qu'enfin je repose


La forêt suspendue au néant
S’épanche en harmonies
De cœurs brisés et battants
à l'abandon imaginaire


Au travers de toutes les saisons
On fauche le vent faible et sage
Òu les chemins mènent à l'errance
Tombés dans l’oubli sublime


Regard singulier - rayon blanc
Qui restera pour l'infini
Comme maquillage en poésie
Me fait pousser des ailes de rêve

Wednesday, January 16, 2019

IPSIS VERBIS



O acme da hora anónima
duvidosa, branda e estóica
que se despenha muda e indómita
no íntimo da nossa incerteza

Como tu 
essência errónea
de névoa queda e fugitiva
na manhã imensa e informe

(pausa)

Já nada importa
ao instante silencioso
à remota presença feérica
onde já tudo pereceu

Cerimónias inquietas
prenhes de melancolia
esmaiadas em quietude
qual pranto de vazio rotundo

Hirto azo de luz ostensiva
que contempla a nuvem oculta
na noite quase vestida
de vazio, de tom e de voz

Assim era o verbo
novilúnio, ubíquo
e esquálido

no escopo do firmamento

(pausa)

Tal como a semente douta e astuta
tão só reclama a terra




Thursday, December 13, 2018

RECITATIVO




Indício de sol
luz jactante
diligente

Uma espécie de idílio
como a imobilidade da rua deserta


Inverno no campo
a história move-se
com nuvens prometidas

Ao longe
tão ao longe...

Levemente
avisto o teu contorno
e gosto do teu cheiro

Não fora a explicação das cores
e tudo no mundo seria diferente

Wednesday, December 12, 2018

SIMETRIA






Local incógnito sem memória
despido de passado
nú
ávido de um qualquer porvir


Manhã anónima
fragmento de nada
e o fundo do corpo
a exortar o silêncio


Agradeço ao mundo
as sílabas melancólicas
esse lugar primitivo...
e fazes parte da paisagem


Guarda este segredo
no âmago da tua equidade
utópica...  bucólica
idílica


O teu sorriso latente
categórico
e imperativo
sempre à beira do caos



Monday, November 26, 2018

DUAS CORES



A palavra Amor



Talvez a melhor forma de entender o seu significado

Intacta



Deliberado esquecimento

Ou devoção e gratidão?





Duas aves e a alegoria do mundo



Hesito no que devo ou não ver

Ou mesmo ouvir… 

Partir



Talvez um efeito secundário onde a incisão cresce insegura



Qual cesura que se aparta da luz em segredo



Ou o clarão! Que irrompe do silêncio e anuncia o Outono





Vem e vê