Wednesday, May 25, 2011

ÉNIGME



La réalité impuissante

déposée sur mon visage

des espoirs balayés

d'une fine écriture



sur la même cadence



Chants de vie et de mémoires

comme l’arbre millénaire

si légère et si lourde

claquant dans le silence



tout au fond de ma nuit



Se brise la conscience

on pèse tous les gestes

aux déserts infranchissables

en l’espace d’un instant



entre la sagesse et le rêve



La lourdeur du destin

le spectre de la présence

d’incessants émois bleus

de ta peau frémissante



dans mes pensées aiguisées



Les arbres frissonnent

l'inconsolable solitude

que le hasard nous a doté

comme des rêves épuisés



de démarche en harmonie



Tous mes regrets ou plaisirs

du châtiment de l'errance

caressant essences et grains

comme flammes qui s’agitent



aux jours qui t’apportent joie

Sunday, May 22, 2011

HORAS CERTAS (DIÁLOGOS II)



O silêncio das pedras

carícia do vento



A lição dos pássaros

serenidade no mar



O vestígio táctil 

prazer madrugador



O bater de asas 

som da ilusão



O brilho do desejo

clamor matinal



A dúvida da solidão

existência aniquilada



O risco não assumido

objecção da suspeita 



A vida que contemplas 

nas horas que resvalam



E para além do mar

ficam as mágoas do passado

MADRUGADA



Deixas que os dias se escapem por entre os dedos de uma mão



Uma mão que é tua e que tudo parecia alcançar



Uma história real de fantasias

em que nada ficou por dizer



Tenho vivido até ao fim

com a consciência que liberta



A busca incessante que retenho

duma tranquilidade indulgente



E eis que rompe o primeiro raio de sol

Friday, May 20, 2011

DÉSIR



Maintenant c'est la pluie qui succède aux rayons de soleil



Il semble que nous habitons la même ville

Un jardin éphémère où les corps font des caresses



J'espère partager avec toi le cri de l'océan

TELEGRAMA



Daqui 

de todo este céu



Siderado 

pelo cálido fulgor 

de todas estas estrelas



E com o rumor mavioso 

de todo este mar



Inconfundível



De noite

AMOUR CARTÉSIEN



Observo



Persuadida pelo próprio ego

O saco repleto de quimeras

Deslumbra-se ao passar em cada esquina

Admite como prova o imponderável

Antecipa-se ao tempo presente



Projecta-se na imprecisão da vida

NÃO SEI



Não sei como dizer



Sucedem-se os dias



Tornas-te sublime



E fico suspenso

a contemplar

a tua imagem



No silêncio

da nossa imaginação